FREUD MUSEUM
Foi nesta casa que Sigmund Freud passou o último ano da sua vida.
Mudou-se para cá em 27 de setembro de 1938 e aqui permaneceu
até a sua morte, aos 83 anos, em 23 de setembro de 1939. Sua esposa
Martha, sua cunhada Minna, sua filha Anna e a empregada Paula Fichtl
continuaram na casa, que permaneceu ocupada até a morte de Anna
Freud em 1982. Em concordância com o seu testamento, a casa foi convertida
em um museu e aberta ao público em 1986.
O PRIMEIRO ANDAR A Sala Anna Freud exibe aspectos do seu trabalho e da sua personalidade: mobílias do seu escritório (entre elas o divã analítico) e o tear que ficava no seu quarto de dormir. Anna gostava muito de tecer e de tricotar. Tricotava durante as sessões de análise de seus pacientes. Nasceu em 1895, a mais nova das seis crianças de Sigmund e Martha Freud. Em 1914 começou a sua formação para ser professora primária mas em 1918 começou também a sua formação como psicanalista leiga, analisando-se com seu pai. Embora curta, a sua carreira na área de ensino serviu de base para o seu trabalho pioneiro no campo da psicologia infantil. O seu trabalho Introdução à Técnica da Análise da Criança foi publicado em 1927 e o influente O Ego e os Mecanismos de Defesa, em 1936. A partir de 1923 passou a ser a secretária e a representante oficial de seu pai. Algumas fotos e objetos nesta sala ilustram o trabalho de Anna Freud em Viena e em Londres, onde tinha Dorothy Burlingham como assistente, uma psicanalista que morou aqui na casa 20 da Maresfield Gardens até a sua morte em 1979. No patamar encontram-se dois retratos de Freud: uma gravura de Ferdinand
Schmutzer, e um desenho de Salvador Dali. A gravura de Schmutzer foi feita
em 1926. Freud elogiou-a, escrevendo, numa carta de agradecimento para
o artista: “... ela me proporciona um grande prazer e, na verdade, eu deveria
agradecer-lhe pelo trabalho que teve em reproduzir este meu rosto desagradável
e repito a minha afirmação de que apenas agora me sinto preservado
para a posteridade.”
FREUD POR SALVADOR DALI, 1938 O desenho de Salvador Dali foi feito em 1938. Stefan Zweig apresentou o artista surrealista a Freud no dia 19 de julho quando ainda estava morando na Elsworthy Road. Durante o encontro, Dali fez, às escondidas, um croqui e mais tarde um desenho a bico de pena. Freud não viu nenhum dos dois porque Zweig achava que ambos prenunciavam a sua morte iminente. O TÉRREO
O quarto que era seu gabinete, com a sua biblioteca, foi conservado
por Anna Freud depois da sua morte. Lá está o divã
analítico original, trazido da Bergasse 19 onde os pacientes se
deitavam confortavelmente enquanto Freud, fora do alcance deles na sua
poltrona verde, escutava suas “livres associações”. Eles
deveriam falar tudo que lhes viesse à mente, sem peneirar ou selecionar,
conscientemente, as informações. Este método tornou-se
o alicerce sobre o qual a psicanálise foi construída.
As circunstâncias impediram Freud de trazer todos os seus livros
de Viena mas a biblioteca de Maresfield Gardens contém aqueles escolhidos
por ele. Abrangem uma vasta gama de assuntos: arte, literatura, arqueologia,
filosofia e história, assim como psicologia, medicina e psicanálise.
Na prateleira atrás da escrivaninha de Freud estão alguns
dos seus autores prediletos: não apenas Goethe e Shakespeare mas
também Flaubert, Heine e Anatole France. Freud reconhecia que poetas
e filósofos tinham alcançado perspectivas do inconsciente
que a psicanálise procurava explicar sistematicamente.
Esta casa, onde Freud concluiu a sua obra e a sua vida, oferece agora uma perspectiva ímpar do alicerce da psicanálise. FREUD MUSEUM
20 Maresfield Gardens
Tel: 020 7435 2002
© FREUD MUSEUM 1998 |